Armazenamento interno ou cartão microSD no tablet: qual a diferença?

Armazenamento interno é a memória soldada diretamente na placa do tablet, de fábrica, onde o sistema operacional e os aplicativos ficam instalados e rodam.

Cartão microSD é um armazenamento removível, comprado à parte, que adiciona espaço extra mas não substitui a memória interna em todas as funções: o sistema não roda a partir dele, e boa parte dos aplicativos não pode ser movida para lá.

A diferença não é só de tamanho disponível. Também muda a velocidade de acesso aos dados e o tipo de arquivo que faz sentido guardar em cada um dos dois, o que costuma pegar de surpresa quem compra um tablet de pouco armazenamento interno esperando resolver tudo só com um cartão maior.

Por que a velocidade da memória interna e do cartão microSD costuma ser diferente?

A memória interna fica soldada direto na placa do tablet, com uma interface de alta velocidade dedicada, o que garante leitura e escrita rápidas, principalmente em acesso aleatório, que é o tipo de operação usada toda vez que um aplicativo abre ou o sistema alterna entre tarefas.

Cartões microSD, mesmo os mais rápidos, se conectam por uma interface padronizada e mais limitada, compartilhada entre praticamente todos os tipos de cartão do mercado.

Para colocar isso em números, a SD Association, entidade responsável pelo padrão SD e microSD, define a chamada Application Performance Class para cartões voltados a rodar aplicativos: a classe A1 exige no mínimo 1.500 IOPS de leitura aleatória e 500 IOPS de escrita aleatória, enquanto a classe A2 exige pelo menos 4.000 IOPS de leitura e 2.000 de escrita.

Mesmo esses cartões "de alta performance", pensados justamente para reduzir essa diferença, costumam ficar abaixo do desempenho da memória interna soldada de um tablet.

O que pode e o que não pode ser movido para o cartão microSD?

No Android, sistema operacional e aplicativos do sistema sempre ficam na memória interna, sem exceção.

Entre os aplicativos baixados pelo usuário, cada desenvolvedor decide se permite ou não a instalação no cartão SD, e a tendência nos últimos anos foi reduzir essa opção, principalmente em apps que dependem de desempenho, como jogos.

O que normalmente pode ir para o cartão microSD sem problema é conteúdo estático: fotos, vídeos, músicas baixadas, documentos e arquivos transferidos de outro dispositivo.

Alguns tablets também suportam o chamado armazenamento adotável, um recurso do Android que formata o cartão para funcionar como extensão da memória interna, mas esse recurso costuma vir desativado de fábrica, e quando ativado, o cartão passa a funcionar só naquele aparelho específico.

Que tipo de armazenamento interno os tablets usam?

Tablets de entrada costumam usar memória eMMC, uma tecnologia de armazenamento adequada para uso básico mas limitada em velocidade de escrita sob carga pesada.

Modelos intermediários e premium tendem a usar UFS, um padrão mais rápido, com desempenho mais próximo ao de um SSD.

Para entender essa tecnologia em detalhe, vale o que é eMMC, já que ela ainda é confundida com SSD por muita gente.

Vale a pena comprar um tablet com pouco armazenamento interno e complementar com microSD?

Depende do uso.

Para quem guarda principalmente fotos, vídeos e arquivos baixados, um cartão microSD resolve bem e sai mais barato do que pagar por uma versão do tablet com mais memória interna de fábrica.

Para quem pretende instalar muitos aplicativos e jogos, o cartão ajuda menos do que parece, porque boa parte desses apps continua exigindo espaço na memória interna independentemente do tamanho do cartão encaixado.

Nesse caso, a capacidade interna de fábrica continua sendo o limite real de quantos aplicativos cabem no aparelho.

Resumindo

A memória interna do tablet é mais rápida e é onde o sistema e a maioria dos aplicativos precisam ficar, enquanto o cartão microSD serve bem como espaço extra para fotos, vídeos e arquivos, com desempenho menor e limitações sobre o que pode ser movido para lá.

Antes de comprar um tablet contando com o cartão para "resolver" pouco armazenamento interno, vale considerar que apps e jogos continuam presos à memória de fábrica na maioria dos aparelhos.